Mamutes-lanosos que nunca existiram: testes de DNA revelam que ossos guardados desde 1951 pertenciam a duas espécies de baleia

Emilly Victoria
Publicado em: 20 de julho de 2026
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Mamutes-lanosos que nunca existiram: testes de DNA revelam que ossos guardados desde 1951 pertenciam a duas espécies de baleia

Dois ossos guardados como mamutes-lanosos por 70 anos eram, na verdade, de baleias. Um museu do Alasca só descobriu o engano depois de testar o DNA do material.

Em 1951, o arqueólogo Otto Geist encontrou duas vértebras enormes perto de Fairbanks. Ele concluiu que pertenciam a um mamute-lanoso, pelo tamanho e pela região.

O material foi parar no Museu do Norte da Universidade do Alasca. Lá ficou arquivado, quase sem revisão, por sete décadas.

Mamutes-lanosos que nunca existiram: testes de DNA revelam que ossos guardados desde 1951 pertenciam a duas espécies de baleia

Por que a datação não fechava as contas

A datação por radiocarbono situou os ossos entre 1.854 e 2.731 anos de idade. Esse intervalo é jovem demais para um mamute-lanoso, extinto no continente há cerca de 13 mil anos.

O programa Adote um Mamute começou a datar o acervo do museu em 2022. Foi aí que o problema apareceu.

O detalhe que chama atenção nesse tipo de teste é que qualquer resultado abaixo de 4 mil anos já descarta a hipótese de mamute-lanoso continental.

O biogeoquímico Matthew Wooller, da Universidade do Alasca Fairbanks, publicou o achado no Journal of Quaternary Science. A análise de isótopos de nitrogênio e carbono reforçou a dúvida.

Os níveis eram típicos de animais marinhos. Um mamute-lanoso, herbívoro terrestre, não deixaria essa assinatura química.

O teste que revelou a espécie real

O DNA mitocondrial identificou os ossos como pertencentes a duas espécies de baleia: a baleia-franca-do-pacífico-norte e a baleia-minke. Isso resolveu o mistério da datação, mas abriu outro.

Os ossos estavam degradados demais para extração de DNA nuclear. A equipe recorreu ao DNA mitocondrial, mais resistente ao tempo.

O resultado surpreendeu, as vértebras não vinham de mamute nenhum. Mas como uma baleia foi parar a 400 km de qualquer costa?

Mapa Mostrando Distancia Entre Fairbanks E A Costa De Norton Bay

Como os ossos foram parar no interior do Alasca

A hipótese mais aceita: no mesmo dia em que processou os fósseis de Dome Creek, no interior, Geist também entregou material coletado na costa de Norton Bay. Os dois lotes teriam se misturado na catalogação.

HipóteseGrau de aceitação
Baleias subindo rios até o interiorPouco provável — rios do Alasca não comportam animais desse porte
Transporte por povos antigosSem evidência registrada para essa região
Troca de lote na catalogação de 1951Hipótese mais aceita pelos pesquisadores

Na prática, erros como esse são mais comuns do que parecem. Quando dois lotes de coleta chegam ao museu no mesmo dia, a chance de troca de etiqueta aumenta.

O que esse engano ensina sobre acervos de museus

Sete décadas se passaram antes que alguém questionasse a etiqueta original. O caso mostra por que revisar coleções antigas continua valendo a pena, mesmo décadas depois do arquivamento.

O “mamute-lanoso” de Fairbanks nunca existiu. Mas a baleia que ele escondia contou uma história ainda mais curiosa sobre como a ciência corrige a si mesma.

Emilly Victoria

Apaixonada por organização, estética e praticidade, compartilho conteúdos diretos com ideias, referências e tendências para transformar qualquer espaço em um ambiente funcional, bonito e alinhado ao seu estilo.