Ses Fontanelles ficou a apenas dois metros de profundidade, rente à badalada praia de Can Pastilla, e revelou 600 peças preservadas por quase dois milênios.
Um navio romano submerso ficou 1.700 anos a só dois metros de profundidade, debaixo dos pés de banhistas em uma das praias mais cheias de Maiorca. Veja o que os arqueólogos tiraram de lá depois de quatro meses de trabalho.

Navio ficava a 2 metros da praia mais movimentada de Maiorca
O navio romano submerso, batizado Ses Fontanelles, ficava a apenas dois metros de profundidade, a 65 metros da praia de Can Pastilla, um dos trechos mais turísticos de Maiorca, na Espanha. Turistas nadavam ali todo verão sem imaginar o que estava logo abaixo.
O sítio arqueológico foi localizado em 2019, durante obras de dragagem no fundo do mar. A embarcação integra um grupo de apenas dez navios romanos já identificados nas Ilhas Baleares.
Operação de 4 meses tirou o casco inteiro do mar
A recuperação do casco levou quatro meses, entre março e junho. A equipe Arqueomallornauta, formada pelas universidades de Barcelona, Cádiz e Baleares, contou com apoio de mergulhadores da Marinha espanhola. Foi a primeira vez que a Espanha retirou um navio romano inteiro do mar, sem fragmentá-lo.
Como o casco foi retirado sem quebrar
Para não danificar a madeira, os arqueólogos confeccionaram moldes de fibra de vidro sob medida para cada parte do casco. A última seção subiu com um sistema de balões de flutuação.
O detalhe que passa despercebido nessa etapa é que retirar um casco de 1.700 anos inteiro, sem fragmentar, é mais raro do que encontrar o próprio naufrágio. A maioria dos achados desse tipo só permite estudo debaixo d’água.
- Confira também: Aranha-caçadora australiana é a mais rápida do mundo: estudo com 258 espécies bate recorde de 13 km/h
Carga revela rota comercial do Império Romano
O navio partiu de Cartagena rumo a Roma ou outra província do Mediterrâneo ocidental. Uma tempestade o pegou perto de Palma e afundou a embarcação. Dentro dele, os pesquisadores encontraram:
- Cerca de 300 ânforas, muitas ainda seladas, com azeite, vinho e molho de peixe fermentado.
- Sapatos de couro e utensílios de cozinha, restos do dia a dia da tripulação.
- Tituli picti, inscrições comerciais pintadas nas ânforas que registravam nome de comerciantes e dados fiscais da carga.

Moeda de 320 d.C. ajudou a datar o naufrágio
Uma moeda cunhada em 320 d.C. apareceu na base do mastro, provavelmente depositada em um ritual de fundação do navio. Ela deu aos pesquisadores a referência exata da construção da embarcação.
Na prática, moedas rituais como essa costumam ser a forma mais confiável de datar embarcações antigas, mais até que a análise da madeira. O casco, com 12 metros de comprimento, vai passar por restauração no Museu Nacional de Arqueologia Subaquática de Cartagena.
Uma praia lotada guardava um pedaço do Império Romano
O Ses Fontanelles saiu do fundo do mar depois de quase dois milênios escondido a poucos metros da areia. A previsão é que ele abra para visitação pública no outono do hemisfério norte, em Cartagena.
Da próxima vez que alguém pisar em uma praia cheia de turistas, vale lembrar: nem sempre o mar guarda só conchas.











